Capítulo 035
Quebrando a primeira regra do clube da luta
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O Clube da Luta não é sobre luta.
Não é sobre vencer.
Não é sobre bater.
Não é sobre ser a referência para os outros
É sobre saber saber apanhar
Clube da Luta
Apanhar da vida sem se curvar, tornar-se orgulhoso de suas cicatrizes e das histórias que elas testemunham.
Orgulho das cicatrizes.
É algo que relembra o conceito do Amor Fati.
O filme começa com um homem que finge ser outra coisa para ser aceito.

O texto do Victor Lisboa chama ele de pobre coitado.
E diz que ele não é um personagem esquisito.
É o retrato do homem de hoje.
Ele está do seu lado no ônibus.
Na fila.
No elevador.
No trabalho.
E, se você não tomar cuidado,
um dia ele aparece no espelho.

Durante o processo de sua criação
Pais cansados.
Pais ausentes.
Pais que estão em casa, mas não estão presentes.
Sem ninguém para mostrar a travessia,
o menino continua menino.
Sem um ritual que marque a passagem.
E com a estante cheia de brinquedos.
Produtos de consumo.
Status.
Símbolos daquilo que o menino imagina ser “coisa de homem”.
Citação
Na busca por possuir esses brinquedos, os homens tornam-se possuídos por eles.
E mesmo com todos os brinquedos,
alguma coisa não encaixa.
Insônia.
Ansiedade.
Trabalho demais.
Bebida demais.
Dívida demais.
Um ruído de fundo lembrando que já passou da hora de crescer.
Sem ritual, os meninos inventam os próprios.
O clube da luta é um deles.
Lá ninguém luta para ganhar.
Quem vence não importa.
Qualquer um sabe vencer.
Só um homem consegue perder de cabeça erguida,
sem fazer disso o fim do mundo.
Por isso eles precisam lembrar, o tempo todo,
que um dia vão morrer.
Que não são o centro do universo.
O velho Memento mori.
Mas o clube ainda é coisa de menino.
Eles lutam, fazem planos, conspiram juntos.
Mas não se comprometem um com o outro.
Tudo que fazem gera destruição
E pura revolta ainda é coisa de criança.
Menino é cuidado.
Homem cuida.
Do cônjuge.
Dos pais.
Dos filhos.
Dos amigos.
Meninos destroem indiscriminadamente.
Homens constroem.
Homens preservam o que é bom…

Where is my mind? Pixies