Capítulo 033

O Eterno Menino

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Cena de animação: a silhueta do Peter Pan equilibrada no alto de uma chaminé, diante de uma lua cheia enorme num céu noturno azulado
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O Eterno Menino

O homem que, mesmo adulto, mantém a psicologia de um adolescente.

Carl Jung

Ele não é burro.
Pelo contrário.
Costuma ser charmoso, talentoso, brilhante.

Mas carrega uma falha:

Se recusa a crescer.


Ele evita se comprometer com um caminho,
porque escolher um caminho é abandonar todos os outros.

Um homem sozinho, de costas, caminhando por uma estrada de terra que se divide em três caminhos, numa paisagem fria e enevoada

Evita responsabilidades que não podem ser desfeitas,
porque elas exigem um adulto de verdade.

O que ele protege acima de tudo é uma liberdade estranha:

a liberdade de ainda não ter escolhido.


Jung chamava isso de vida provisória.

A vida de verdade começa depois.
Quando as condições forem melhores.
Quando aparecer o projeto certo.
A parceira certa.
O momento certo.

Enquanto isso, tudo fica em suspenso.
De possibilidade em possibilidade.
Sem nunca pousar em nenhuma.

E aí você tem 35 anos
e ainda está esperando a vida começar.

Lambe-lambe recortado de um cachorro de orelhas em pé, pintado em tons de marrom e bege, colado num vidro com árvores refletidas ao fundo

O potencial que você não testa hoje
não fica guardado para amanhã.

Ele apodrece.

O eterno menino não tem medo de errar.
Tem pavor do compromisso.

E foge justamente do único remédio que existe:
o peso de uma responsabilidade real.


Nunca foi tão fácil fingir que está evoluindo.

Acumular conhecimento que nunca vai usar.
Mostrar uma vida editada nas redes
enquanto a de verdade está vazia.

O eterno menino não usa a tecnologia para crescer.

Usa como desculpa para continuar parado.

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