Capítulo 054

Harry Potter: o preço de se tornar quem somos

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Cena do filme: a Taça Tribruxo, prateada e brilhando, sobre uma pedra no fim de um corredor estreito entre duas paredes altas de cerca viva escura, com um caminho de terra levando até ela

Nos primeiros filmes de Harry Potter, acompanhamos um garoto descobrindo um mundo que até então desconhecia.

Hogwarts, os feitiços, as criaturas mágicas e os mistérios que cercam sua própria história.

Mas, conforme a saga avança, algo começa a mudar.

A magia continua existindo, mas já não consegue resolver todos os problemas.

Harry começa a descobrir que existem perdas que não podem ser desfeitas.
Escolhas que têm consequências.
E situações em que não existe uma resposta simples.

É nesse momento que sua jornada começa a me lembrar outro aspecto da alquimia.

A ideia de que, para algo se transformar, sua forma anterior precisa passar por mudanças.

E talvez isso também aconteça com a gente.

Depois da nigredo, o que vem?

No capítulo anterior, conversamos sobre a nigredo, uma imagem alquímica associada ao escurecimento, à decomposição e à dissolução.

Na interpretação psicológica de Carl Gustav Jung, essas imagens podem representar momentos em que nossa antiga compreensão sobre nós mesmos começa a se desfazer.

Mas a alquimia também apresenta outras imagens de transformação.

Entre elas, encontramos a albedo e a rubedo.

Albedo: o embranquecimento

A palavra albedo vem do latim e significa embranquecimento.

Na alquimia, está associada a processos de purificação e clarificação da matéria.

Iluminura de moldura laranja cheia de flores e pássaros: em primeiro plano, mulheres lavam roupa em tinas de madeira ao lado de um caldeirão no fogo, e ao fundo lençóis brancos secam estendidos na grama e num varal, diante de casas e torres de uma cidade
Lavadeiras estendendo panos brancos: o embranquecimento da obra. Splendor Solis (c. 1532–1535).

Numa interpretação psicológica, podemos relacioná-la ao momento em que começamos a compreender aquilo que antes parecia confuso.

Imagine alguém que passou anos acreditando que precisava agradar a todas as pessoas.

Em determinado momento, percebe que essa necessidade está ligada ao medo de ser rejeitado.

A descoberta não resolve imediatamente o problema.

Mas algo muda.

A pessoa começa a compreender por que age daquela maneira.

Aquilo que antes acontecia automaticamente passa a ser observado com mais consciência.

Podemos usar a albedo como uma imagem dessa clarificação.

Não significa que os conflitos desapareceram.

Significa que começamos a enxergá-los de outra maneira.

Rubedo: o avermelhamento

A rubedo é associada ao avermelhamento e, em muitas representações alquímicas, à realização da obra.

Iluminura: dentro de um frasco de vidro em forma de gota, emoldurado por colunas douradas, um rei de coroa e manto vermelho segura um globo, sobre uma paisagem com rio, barco, pescadores, caçadores e cisnes, e no céu uma deusa numa carruagem puxada por moças
O rei vermelho dentro do frasco. Splendor Solis (c. 1532–1535).

Numa leitura psicológica, pode simbolizar uma integração mais profunda entre aquilo que compreendemos e a maneira como vivemos.

Porque existe uma diferença entre conhecer uma ideia e conseguir colocá-la em prática.

Podemos compreender a importância de estabelecer limites e continuar dizendo sim para tudo.
Podemos reconhecer nossos medos e continuar permitindo que eles determinem nossas escolhas.
Podemos falar sobre coragem e ainda evitar aquilo que consideramos importante.

A compreensão é apenas uma parte do processo.

Também precisamos aprender a viver de acordo com aquilo que descobrimos.

Mas é importante lembrar que essas etapas alquímicas não formam uma sequência psicológica obrigatória.

Jung encontrou nelas símbolos úteis para pensar a transformação da psique, não uma fórmula universal para o amadurecimento humano.

E é com essa perspectiva que podemos olhar para os próximos filmes.

O Cálice de Fogo: quando a inocência encontra a morte

Em Harry Potter e o Cálice de Fogo, Harry participa do Torneio Tribruxo.

Durante boa parte do filme, acompanhamos desafios que lembram as aventuras anteriores.

Dragões.
Criaturas aquáticas.
Um labirinto misterioso.

Mas existe uma mudança importante no final.

Harry e Cedrico Diggory chegam juntos à taça do torneio.

Cena do filme: Harry e Cedrico, sujos e cansados, se encaram no meio de um corredor do labirinto de cerca viva, numa luz azulada com névoa e um brilho ao fundo
Harry e Cedrico no labirinto da terceira tarefa.

Os dois decidem compartilhar a vitória.

Porém, quando tocam na taça, são transportados para um cemitério.

Ali, Cedrico é assassinado e Voldemort recupera seu corpo.

Cena do filme: Voldemort, pálido, careca e sem nariz, passa as mãos pelos lados da cabeça logo depois de recuperar o corpo, numa luz azul-esverdeada
Voldemort de volta ao próprio corpo, no cemitério.

A história muda completamente.

Até aquele momento, Harry havia enfrentado situações perigosas, mas sempre existia a possibilidade de que tudo terminasse relativamente bem.

A morte de Cedrico rompe essa expectativa.

Harry descobre que nem sempre a coragem, a amizade ou as boas intenções são suficientes para impedir uma tragédia.

E existe algo muito humano nessa descoberta.

Quando somos crianças, muitas vezes imaginamos que o mundo funciona de maneira relativamente justa.

Que as pessoas boas serão recompensadas.
Que agir corretamente será suficiente para evitar consequências ruins.

Mas, conforme crescemos, percebemos que a realidade é mais complexa.

Pessoas boas também sofrem.
Decisões corretas nem sempre produzem resultados felizes.
E algumas situações simplesmente estão além do nosso controle.

Na psicologia, podemos relacionar essa mudança ao amadurecimento da nossa visão de mundo.

Não porque seja necessário passar por uma tragédia para amadurecer, mas porque experiências inesperadas podem confrontar crenças que antes considerávamos seguras.

Harry retorna do cemitério carregando o corpo de Cedrico.

Cena do filme vista do alto: na entrada do labirinto de cerca viva, à noite, Harry está debruçado sobre o corpo de Cedrico no gramado, com Dumbledore ajoelhado ao lado, enquanto professores e alunos com tochas formam uma roda em volta
A volta do labirinto.

E talvez essa seja uma das imagens mais marcantes de toda a saga.

Ele voltou para Hogwarts.

Mas já não é o mesmo garoto que entrou no torneio.

O que é morte simbólica?

Quando falamos em morte simbólica, não estamos falando necessariamente da morte física.

Estamos falando do encerramento de uma maneira de existir, de pensar ou de compreender a própria identidade.

Por exemplo, alguém pode passar muitos anos acreditando que seu valor depende exclusivamente do reconhecimento profissional.

Até que uma experiência faz essa pessoa questionar a importância que deu ao trabalho.

A antiga identidade começa a perder força.

E surge a necessidade de construir outra relação consigo mesma.

Podemos chamar isso, metaforicamente, de uma morte simbólica.

Não porque uma pessoa literalmente deixou de existir.

Mas porque uma maneira antiga de compreender a própria vida já não consegue explicar tudo aquilo que ela está vivendo.

Na alquimia, imagens de morte, decomposição e renascimento aparecem com frequência associadas à transformação.

E em diferentes mitologias encontramos histórias em que o personagem precisa abandonar uma condição anterior para atravessar uma nova etapa.

Harry passa por algo parecido.

A morte de Cedrico não é uma transformação desejável nem uma experiência que precisava acontecer.

Mas ela altera profundamente sua relação com o mundo.

O perigo deixa de ser uma possibilidade distante.

Voldemort voltou.

E Harry precisa lidar com essa realidade.


A Ordem da Fênix: quando ninguém acredita em você

No quinto filme, Harry enfrenta um problema diferente.

Ele sabe que Voldemort retornou.

Mas o Ministério da Magia tenta desacreditar seu relato.

O Profeta Diário participa dessa campanha, e muitas pessoas começam a enxergá-lo como alguém que está mentindo ou buscando atenção.

Capa do Profeta Diário em tons de sépia, com a manchete The Boy Who Lies? em letras grandes e a foto de Harry, de camiseta, olhando para o lado, cercada de colunas de texto e manchetes menores
“O menino que mente?”, no Profeta Diário.

Harry passa a viver uma sensação de isolamento.

Ele conhece uma realidade que outras pessoas se recusam a reconhecer.

Essa situação traz uma reflexão interessante sobre a relação entre nossa experiência pessoal e a maneira como somos vistos pelos outros.

Na psicologia analítica, Jung usa o conceito de persona para descrever a face social que apresentamos ao mundo.

A persona não é necessariamente uma mentira.

Ela representa os papéis e comportamentos que desenvolvemos para conviver em sociedade.

Somos profissionais.
Amigos.
Filhos.
Parceiros.
Artistas.

E cada contexto exige maneiras diferentes de nos relacionarmos.

O problema aparece quando nossa identidade passa a depender completamente da imagem que os outros têm de nós.

Harry começa a perceber que não consegue controlar aquilo que as pessoas pensam a seu respeito.

Por mais que tente explicar o que aconteceu, nem todos estão dispostos a ouvi-lo.

Isso não significa que devemos ignorar todas as opiniões externas.

Às vezes, outras pessoas enxergam coisas que nós mesmos não conseguimos perceber.

Mas existe uma diferença entre considerar uma crítica e permitir que toda a nossa identidade seja determinada por ela.

Harry precisa continuar agindo mesmo sem receber o reconhecimento que gostaria.

E essa é uma mudança importante na sua trajetória.

A raiva de Harry e o retorno da sombra

Outro aspecto interessante de A Ordem da Fênix é a raiva de Harry.

Ele se sente incompreendido.
Questiona as decisões de Dumbledore.
Discute com os amigos.
E demonstra uma irritação muito maior do que nos filmes anteriores.

No segundo capítulo, conversamos sobre a sombra de Jung.

A sombra envolve aspectos da personalidade que temos dificuldade em reconhecer ou aceitar.

E a raiva pode ser um desses aspectos.

Especialmente quando construímos uma identidade baseada na ideia de que precisamos ser sempre pacientes, gentis ou compreensivos.

Mas a raiva também pode revelar alguma coisa importante.

Pode indicar que um limite foi ultrapassado.
Que uma necessidade não está sendo atendida.
Ou que estamos vivendo uma situação que consideramos injusta.

O problema não é simplesmente sentir raiva.

É o que fazemos com ela.

Harry precisa aprender a reconhecer seus sentimentos sem permitir que eles controlem completamente suas decisões.

E existe uma cena especialmente importante nesse processo.

Harry e Voldemort: aquilo que nos torna diferentes

No confronto final do quinto filme, Voldemort consegue entrar na mente de Harry.

Durante alguns instantes, Harry revive lembranças dolorosas e parece ser dominado por aquela presença.

Cena do filme: Harry, com o rosto pálido e um olhar perdido, está caído de bruços no chão de pedra do Átrio do Ministério, coberto de poeira, numa luz azul e fria
Harry no chão do Ministério, com Voldemort dentro da mente.

Mas, ao recordar suas relações de amizade e afeto, consegue resistir.

Podemos interpretar essa cena como um contraste entre duas maneiras de se relacionar com a própria existência.

Voldemort busca poder, controle e imortalidade.

Harry encontra força em vínculos que não consegue reduzir ao controle.

Amizade.
Amor.
Pertencimento.

Isso não significa que o amor seja uma solução automática para qualquer sofrimento.

Mas, dentro da narrativa, os vínculos humanos representam algo que Voldemort tem dificuldade em compreender.

E essa diferença será cada vez mais importante nos últimos filmes.

Harry não precisa se tornar alguém incapaz de sentir medo, raiva ou tristeza.

Precisa descobrir como conviver com esses sentimentos sem abandonar aquilo que considera importante.

Talvez possamos relacionar essa mudança à ideia de integração.

Não eliminar as contradições.

Mas aprender a viver de maneira mais consciente com elas.


O Enigma do Príncipe: conhecer a escuridão do outro

No sexto filme, Harry e Dumbledore passam a investigar o passado de Voldemort.

Por meio das lembranças guardadas na Penseira, conhecemos diferentes momentos da vida de Tom Riddle.

Cena do filme: na sala de Dumbledore, cheia de dourados, Harry segura um pequeno frasco de vidro com uma lembrança prateada sobre a Penseira, enquanto Dumbledore, de barba branca comprida e chapéu, observa ao lado
Harry e Dumbledore diante da Penseira.

Sua infância.
Sua relação com Hogwarts.
Seu interesse pela imortalidade.
E sua busca pelas Horcruxes.

Esse processo é interessante porque Harry começa a compreender melhor a história daquele que considera seu maior inimigo.

Voldemort deixa de ser apenas uma figura misteriosa.

Passamos a conhecer algumas de suas escolhas, seus medos e suas ambições.

E aqui existe uma distinção importante.

Compreender a origem de um comportamento não significa justificá-lo.

Podemos tentar compreender por que alguém age de maneira cruel sem considerar essa crueldade aceitável.

Da mesma forma, conhecer nossas próprias inseguranças não elimina nossa responsabilidade pelas decisões que tomamos.

A investigação sobre Voldemort revela que sua busca pela imortalidade está profundamente ligada ao medo da morte.

E esse medo o leva a fragmentar a própria alma por meio das Horcruxes.

As Horcruxes e a fragmentação

Horcrux

Um objeto ou ser usado para guardar um fragmento da alma de um bruxo. Para criá-la, é preciso cometer um assassinato, ato que rompe a integridade da alma.

Voldemort cria várias Horcruxes porque deseja impedir sua própria morte.

Cena do filme: a mão de Dumbledore segura o diário de Tom Riddle, preto e retorcido, com um buraco queimado no meio da capa, sobre uma mesa escura com instrumentos ao fundo
O diário de Tom Riddle, a primeira Horcrux destruída, nas mãos de Dumbledore.

Existe uma leitura simbólica interessante nessa escolha.

Ele tenta preservar sua existência por meio da fragmentação.

Em vez de aceitar os limites da condição humana, busca escapar deles a qualquer custo.

Na psicologia de Jung, encontramos uma ideia bem diferente.

A individuação envolve o desenvolvimento de uma relação mais consciente entre os diferentes aspectos da personalidade.

Não significa que nos tornamos pessoas sem conflitos.

Mas que buscamos reconhecer e integrar partes da nossa vida psíquica.

A comparação com Voldemort pode funcionar como um contraste simbólico.

Enquanto a individuação aponta para uma integração psicológica maior, Voldemort procura sobreviver dividindo a própria alma.

Isso não significa que as Horcruxes sejam uma representação literal de algum conceito clínico de Jung.

Estamos usando a imagem da fragmentação para refletir sobre a diferença entre tentar controlar completamente a existência e aprender a reconhecer seus limites.

E talvez essa seja uma das grandes questões da saga.

O que estamos dispostos a sacrificar para não perder aquilo que acreditamos ser?

A morte de Dumbledore

No final de O Enigma do Príncipe, Dumbledore morre.

Para Harry, essa perda tem um significado profundo.

Durante boa parte da história, Dumbledore representa uma figura de orientação e proteção.

Mesmo quando Harry não compreende suas decisões, sabe que existe alguém mais experiente tentando ajudá-lo.

Mas essa segurança desaparece.

Cena do filme: à noite, no pátio de Hogwarts, alunos de rosto triste erguem as varinhas acesas para o alto, diante das paredes de pedra do castelo
As varinhas erguidas por Dumbledore.

Harry precisa continuar a jornada sem a presença daquele que costumava indicar o caminho.

Essa mudança pode ser interpretada como uma passagem importante no seu amadurecimento.

Em algum momento da vida, percebemos que nem sempre teremos alguém capaz de nos dizer exatamente o que fazer.

Nossos pais não têm todas as respostas.
Nossos professores também cometem erros.
As pessoas que admiramos têm limites e contradições.

E reconhecer isso não significa deixar de amá-las ou respeitá-las.

Significa começar a compreender que ninguém pode viver nossa vida por nós.

Harry continua carregando os ensinamentos de Dumbledore.

Mas agora precisa decidir como usá-los.

A orientação externa começa a se transformar em responsabilidade pessoal.

Da compreensão à ação

Voltando à alquimia, podemos usar a albedo como uma imagem da clarificação.

O momento em que começamos a compreender aspectos da realidade que antes permaneciam confusos.

Já a rubedo pode representar, simbolicamente, uma transformação que não fica apenas no pensamento.

Ela precisa ganhar forma na maneira como vivemos.

E existe algo interessante na jornada de Harry entre o quarto e o sexto filme.

Ele descobre que Voldemort retornou.
Aprende mais sobre a história do seu inimigo.
Compreende a importância das Horcruxes.
Reconhece que Dumbledore não estará sempre presente para ajudá-lo.

Mas todo esse conhecimento ainda precisa ser colocado em prática.

Harry não pode simplesmente compreender o problema.

Precisa agir.

E talvez essa seja uma diferença importante entre acumular conhecimento e desenvolver sabedoria.

Podemos ler dezenas de livros sobre coragem.

Mas ainda vamos precisar tomar decisões quando sentirmos medo.

Podemos estudar filosofia e compreender diferentes maneiras de viver.

Mas isso não significa que vamos conseguir aplicar tudo aquilo que aprendemos.

A transformação acontece também na maneira como respondemos às experiências.


O preço de se tornar quem somos

Quando penso nesses três filmes, percebo que Harry não amadurece apenas porque aprende feitiços mais poderosos.

Ele amadurece porque sua maneira de compreender a vida começa a mudar.

Descobre que nem sempre será compreendido.
Que pessoas importantes podem morrer.
Que seus sentimentos nem sempre serão agradáveis.
E que conhecer o caminho não significa necessariamente ter coragem para percorrê-lo.

Mas existe algo que considero importante nessa reflexão.

Não precisamos romantizar o sofrimento.

A morte de Cedrico não foi necessária para que Harry se tornasse alguém melhor.

A perda de Dumbledore não representa uma recompensa escondida.

Algumas experiências são simplesmente dolorosas.

O que podemos fazer é tentar compreender como continuar vivendo depois delas.

Talvez a transformação não esteja em encontrar um significado positivo para tudo aquilo que acontece.

Mas em reconhecer que nossas experiências, inclusive aquelas que não escolhemos, podem modificar nossa maneira de existir.

Na alquimia, o ouro representa uma possibilidade de transformação da matéria.

Na leitura psicológica, podemos imaginar esse ouro como uma imagem de mais consciência e integração.

Iluminura de moldura laranja com flores e pássaros: um grande sol vermelho e dourado, com um rosto, nasce sobre uma cidade de torres e muralhas, acima de uma paisagem de terra escura com árvores secas
O sol nascendo sobre a cidade, a última imagem da obra. Splendor Solis (c. 1532–1535).

Mas não existe uma Pedra Filosofal capaz de resolver todos os nossos conflitos de uma vez.

Continuamos aprendendo.
Errando.
Recomeçando.
E descobrindo aspectos de nós mesmos que ainda desconhecíamos.

Harry começou sua jornada procurando um lugar ao qual pertencer.

Agora precisa descobrir como continuar caminhando quando as pessoas que o guiavam já não podem acompanhá-lo.

E isso me faz pensar numa pergunta.

Em que momento deixamos de procurar alguém que nos mostre o caminho e começamos a assumir a responsabilidade pelas nossas próprias escolhas?