Capítulo 041

O Encontro com o Artista

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Praia de areia fofa e marcada em primeiro plano, ondas brancas quebrando no mar e um céu azul intenso riscado de nuvens finas

Quando foi a última vez que você separou um tempo para fazer alguma coisa só porque estava com vontade?

Sem precisar melhorar numa habilidade.
Sem transformar o passeio em conteúdo.
Sem aproveitar para resolver outra coisa no caminho.

Só porque parecia divertido.


Encontro com o Artista

Um tempo semanal reservado para alimentar a curiosidade.

A ideia é levar seu artista interior para passear.

Julia Cameron, O caminho do artista

No livro O caminho do artista, a Julia Cameron propõe essa prática.

Eu gosto de pensar numa criança que ficou esperando enquanto o adulto respondia:

Depois.
Agora não dá.
Tem coisa mais importante.

Até que uma hora você pergunta:

Tá, o que você quer fazer?


Pode ser ir ao cinema.
Conhecer uma rua.
Ver o pôr do sol.
Entrar numa papelaria e ficar olhando materiais que você nem sabe usar.

Comprar alguma coisa para desenhar.
Ou sair de lá sem comprar nada.

Não precisa envolver dinheiro.

Precisa ter alguma coisa que desperte sua vontade de ir.

Duas coisas para lembrar

1. O encontro é sozinho

Só você e sua curiosidade.

Poder parar numa vitrine sem explicar.
Mudar o caminho.
Ficar mais tempo onde deu vontade.

Descobrir o que chama sua atenção quando não tem outra pessoa escolhendo junto.

2. Precisa ser divertido

Se virou uma obrigação chata, vale repensar o passeio haha.

A proposta é reservar um encontro por semana. Uma ou duas horas podem ser um começo, com espaço para algo que você queira experimentar.


Eu imagino a criatividade como um aquário.

Você vai tirando coisas dele para criar.

Um desenho.
Um texto.
Uma solução no trabalho.

Mas o que tem colocado de volta?

Uma cor vista na rua.
Uma conversa escutada sem querer.
Uma cena de filme que continua com você depois dos créditos.

Nem sempre dá para saber onde essas coisas vão aparecer.

Talvez numa ideia daqui a meses.
Talvez só tornem aquela tarde boa.


Foi uma das coisas que gostei de experimentar nesse livro.

Reservar um tempo para aquilo que eu gosto, mesmo sem saber o que vai sair dali.

Ainda preciso me lembrar disso.

Às vezes, fico tão preocupado com o que quero criar
que esqueço de sair de casa.

Enquanto isso,
tem uma criança olhando pela janela.