Capítulo 040

A Voz do Silêncio

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Desenho a nanquim em preto e branco de uma serpente de escamas enrolada em volta de uma grande flor de pétalas recortadas, com detalhes pintados de vermelho
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Estava assistindo a uma palestra da Lúcia Helena, professora de filosofia da Nova Acrópole.

Ela falava sobre A Voz do Silêncio, de Helena Blavatsky.

Um livro poético,
feito de trechos da filosofia tibetana

Um livro curto.

E, por coincidência, descobri que existe uma versão traduzida por nada menos que Fernando Pessoa.

Capa do livro A Voz do Silêncio, de H. P. Blavatsky, com tradução de Fernando Pessoa: letras brancas sobre fundo azul-escuro, entre linhas douradas em losango e raios de luz brancos

E então me deparei com este trecho do livro:

A Voz do Silêncio

Para alcançar o vale da verdadeira luz,
deve o discípulo atravessar três salas.

Helena Blavatsky

Cada sala corresponde, metaforicamente, a um dos três estados da consciência humana:

O sono, o sonho e o despertar.

A sala da Ignorância

O sono.

Aqui vive a maioria das pessoas,
atentas às coisas materiais.

A Voz do Silêncio

Se queres cruzar seguro a primeira sala, faz com que tua mente não tome por luz do Sol da Vida os fogos da luxúria e dos desejos que ali ardem…

Helena Blavatsky

O desejo de se destacar pelo ter físico.

Lúcia Helena

A sala da Instrução

O sonho.

Aqui vivem os que valorizam as coisas intangíveis.

Nesta sala estão as flores da vida.

Mas debaixo de cada flor
há uma serpente enrolada.

Cai em ilusão aquele que se deixa fascinar pelos livros,
pelo conhecimento,
tornando-se fanático ou orgulhoso.

A Voz do Silêncio

Na sala da Instrução tua alma achará as flores da vida, mas, debaixo de cada flor, há uma serpente… Não procures teu guru nestas regiões mayávicas.

Helena Blavatsky
Desenho a nanquim de uma mulher de perfil, com brinco e flores no cabelo, e uma serpente de boca aberta enrolada no pescoço, sobre um fundo cinza-escuro

Maya é ilusão.
Nessas regiões ilusórias, não procure aquele que tem quantidade de informações.
Procure alguém que tenha profundidade.

O intelectual não resolve melhor os problemas da vida do que um homem culto.

Às vezes, um homem simples do campo consegue encontrar respostas melhores.

Lúcia Helena

A sala da Sabedoria

O despertar.

A terceira sala tenta o sábio a acreditar na separatividade das coisas.

Desprezando o material.
Apegando-se a ideias.

Mas as ideias, por mais belas que sejam,
são tão enganosas quanto os bens materiais.

A Voz do Silêncio

Se, através da sala da Sabedoria, pretendes alcançar a bem-aventurança, fecha completamente teus sentidos para a grande HERESIA DA SEPARATIVIDADE, que te afasta dos demais.

Helena Blavatsky
Desenho a nanquim em preto e branco de uma andorinha de asas abertas com uma auréola de raios atrás da cabeça, sobre uma lanterna entre nuvens espirais, com canetas Copic ao lado

Só após atravessar a terceira sala
o discípulo torna-se um Caminhante do Céu.

Homem de camiseta preta se curvando para atravessar um vão aberto numa parede de tijolos, numa casa em ruínas, com o desenho da andorinha colado na parede ao lado e rabiscos riscados no reboco

O da Libertação e o da Renúncia.
O do Olho ou o do Coração.
A senda Aberta ou a Fechada.

Desenho de um coração anatômico com um olho no centro, impresso numa folha colada com fita crepe num poste branco, diante de uma praia de mar calmo e céu nublado

A partir daí, o iniciado está sozinho.

E deve atravessar sete portais:

  • Caridade
  • Harmonia
  • Paciência
  • Indiferença
  • Energia
  • Contemplação
  • Sabedoria

Então conhecerá a lei do amor perpétuo
e poderá trilhar a Senda dos Budas perfeitos.

Capa do álbum Flow State, de Tash Sultana: pintura simétrica de dois rostos espelhados em tons de azul, com olhos abertos e um centro luminoso em amarelo e rosa, emoldurada em coral