Capítulo 021

O Bobo da Corte

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Desenho em caneta preta num muro grafitado de amarelo, laranja e verde: um rosto de olhos caídos e sorriso torto, com uma lâmpada acesa saindo do alto da cabeça e, embaixo, a frase “que possamos”

Passei tanto tempo tentando compreender a vida que quase esqueci de vivê-la.

Busquei respostas na filosofia, na arte, nos livros e no silêncio.

Até que um dia o Bobo da Corte apareceu e perguntou:

Você já terminou de tentar entender tudo ou vai continuar adiando a vida? O Bobo da Corte

Eu não soube responder.

Ele riu.

Você fala tanto sobre estar presente, mas vive pensando em como deveria estar presente.

E continuou:

Quer encontrar sua essência? Pare de procurar por cinco minutos. Vá dançar, conhecer alguém, errar alguma coisa. Depois você me conta.


Foto embaçada sob luz roxa, com lente olho de peixe: uma pessoa de touca clara e regata de basquete sorrindo diante de um pano branco pintado com “WE KNOW WHAT YOU DID LAST…”

Talvez o Bobo da Corte tenha algo que muitos sábios perderam.

A capacidade de rir da própria importância.

De reconhecer que nem tudo precisa fazer sentido.

Que nem toda experiência precisa virar uma lição.

E que a vida não é um problema esperando uma solução.

Às vezes, é apenas uma dança.

E o Bobo?

Ele já estava dançando enquanto eu tentava entender a música.

Pessoa de camiseta preta e meias brancas fazendo um freeze de breaking, apoiada numa mão só, com as pernas para o alto e sorrindo, diante de um muro amarelo grafitado de azul, ao lado do desenho de um camaleão de boné com um rádio no ombro e uma lata de spray na mão